Nasci no sítio certo para ser feliz, nasci na “minha” cidade do Porto. No Porto das ruas estreitas, pátios de vizinhança, vielas esconsas onde o amor se vive às escondidas e a dor se cura pelo silêncio. Seis dezenas não chegam para contar a minha idade.
Nasci e vivi no “meu” bairro, Miragaia.
Escrevo como quem fala, como quem conta estórias de amor e de amar. Dispo a pieguice quando escrevo o Amor, porque amor também é a revolta e a luta, a conquista e o luto, todos os meus textos se vestem assim. Os meus pais viveram uma
pobreza envergonhada, procurando parecer classe média. Pela média deles nasci eu e os meus irmãos. Pela boca dos meus pais sempre ouvi o estigma de ter sempre resposta para tudo. Também escrevo com voz.
A escrita é uma expressão de prazer — gosto de escrever. Escrevo sempre, mesmo quando só estou a olhar. Escrevo fotografias invisíveis.
Sou bordador de palavras. Estou misturado em várias enciclopédias e antologias, tenho participado em alguns desafios de
escrita, pelo desafio, e vou merecendo a simpatia de algumas distinções. Gosto de poetar. Ganhei um prémio que rejeitei por cuidado com a minha personalidade. Gosto de rasgar regras, desconstruir normalidades, inventar palavras, escrever sem rede.
Não sou escritor. Não me estorva o conceito, mas sinto-me mais contador de estórias, as que eu vivi e as que conheci. O Porto é o meu baú.
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Heranças
Pentautores; Barbosa, Ana Paula; Arinto, Carlos; Santos, Jorge; Mendonça, Manuel Amaro; Fraga, Suzete; Morgado, Fernando
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