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Boca Bilingue - Tapa blanda

Ruy Belo

 
9789723719284: Boca Bilingue

Sinopsis

Terceiro livro de Ruy Belo «Boca Bilingue» foi publicado pela primeira vez em 1966. Nas palavras de Gastão Cruz no prefácio a esta edição «Ao invocar no poema de abertura do seu livro a poesia como "palavra impossível" Ruy Belo passa-lhe o único atestado que pode certificá-la como poesia um estremecimento da linguagem ou talvez mais precisamente o estremecimento das mãos do poeta recebendo em tempos inaugurais as folhas dactilografadas do livro das mãos de quem antes da publicação ele quisera que as lesse.»|[…]|Simples questão de tempo és e a certas circunstâncias de lugar|circunscreves o corpo. Sentas-te levantas-te|e o sol bate por vezes nessa fronte aonde o pensamento|— que ao dominar-te deixa que domines — mora|Estás e nunca estás e o vento vem e vergas|e há também a chuva e por vezes molhas-te |aceitas servidões quotidianas vais de aqui para ali |animas-te esmoreces há os outros morres|Mas quando foi? Aonde te doía? Dividias-te|entre o fim do verão e a renda da casa|Que fica dos teus passos dados e perdidos?|Horário de trabalho uma família o telefone a carta |o riso que resulta de seres vítima de olhares|Que resto dás? Ou porventura deixas algum rasto?|E assim e assado sofro tanto tempo gasto|de «ÁCIDOS E ÓXIDOS»|Doutorado em Direito Canónico pela Universidade de S. Tomás de Aquino em Roma e licenciado em Filologia Românica e em Direito pela Universidade de Lisboa leccionou no ensino secundário e foi leitor de Português na Universidade de Madrid. Foi director literário de uma editora; chefe de redacção da revista Rumo ; adjunto do Director do Serviço de Escolha de Livros do Ministério da Educação Nacional; bolseiro de investigação da Fundação Calouste Gulbenkian; tradutor de numerosos autores franceses e colaborador em várias publicações periódicas. Vítima de um edema pulmonar a sua morte precoce em 1978 colheu de surpresa uma série de escritores que lhe dedicam no mesmo ano uma|Homenagem a Ruy Belo|. Iniciada em 1961 mas mantendo-se na confluência da poesia dos anos 50 equidistante quer de um dogmatismo neo-realista quer do excesso surrealista mas incorporando aquisições dessas duas formas de comunicação estética para António Ramos Rosa "A poesia de Ruy Belo é uma incessante reflexão sobre o tempo e a morte e a incerta identidade do sujeito que em vão procura o lugar originário onde se encontraria o ser na sua totalidade [...]. A incerteza e uma profunda frustração muitas vezes impregnada de uma trágica ironia dominam esta procura do lugar ontológico e da degradação existencial". (|Incisões Oblíquas| Lisboa 1987 p. 66). Abarcando a crítica irónica da realidade social e a denúncia das diversas problemáticas que equacionam o homem desde a sua vivência espiritual e religiosa até ao envolvimento concreto e existencial a poesia de Ruy Belo é uma "forma de intervenção de compromisso de luta por um mundo melhor [...] sem [...] o poeta pactuar com a demagogia com o oportunismo que afinal representa não ver primordialmente na arte criação de beleza construção de objectos tanto quanto possível belos em si mesmos" ("Nota do Autor" a|País Possível| 1973).

"Sinopsis" puede pertenecer a otra edición de este libro.